São Félix do Xingu (PA) lidera o ranking nacional.
Em 2023, esse único município emitiu mais do que países inteiros como Portugal ou Grécia.
26 fatos para entender por que adaptação climática deixou de ser pauta de longo prazo. Os dados estão aqui — a urgência também.
A maior parte das emissões brasileiras não sai de chaminés ou escapamentos. Sai da derrubada da floresta — e isso muda tudo sobre como adaptar.
Mas essa média não vem do consumo de cada um — do carro, do gás, da conta de luz. Vem do território: 57% das emissões do país são de mudança de uso da terra e desmatamento, 9,8 bilhões de toneladas a mais do que agropecuária, energia, indústria e resíduos somados. A conta nacional é dividida pela população — e aparece como pegada per capita.
Fonte · SEEG 13 / Observatório do ClimaEm 2023, esse único município emitiu mais do que países inteiros como Portugal ou Grécia.
Pará, Mato Grosso e Rondônia concentram quase todos os topos do ranking — São Paulo é a única outlier urbana.
Mais da metade das cidades brasileiras (54%) está com a pegada de carbono crescendo.
Nenhum município brasileiro tem emissões líquidas negativas. Mesmo as cidades amazônicas mais preservadas ainda emitem mais do que removem.
E a frente de avanço mudou de bioma. Em 2023, o Cerrado ultrapassou a Amazônia pela primeira vez na série histórica.
Restam 549 milhões de hectares (64,5% do país) de vegetação nativa — mas 46% disso está concentrado na Amazônia. Fora dela a história é diferente: a Mata Atlântica conservou apenas 29% da cobertura original.
Fonte · MapBiomas Coleção 9Foi o primeiro ano em que o Cerrado (1,05 Mha) ultrapassou a Amazônia em derrubada.
Área maior que o estado de Sergipe, perdida em um único município desde 1985.
É a floresta que está tentando voltar onde o uso humano recuou.
São 33 anos de registros oficiais. E a curva está acelerando: 2023 quebrou o recorde absoluto de eventos. 2022 era o recorde anterior — quebrado no ano seguinte.
94% dos municípios brasileiros têm pelo menos 1 desastre nos registros oficiais. Só 341 cidades nunca reportaram um evento — e isso não significa que estão seguras.
Fonte · S2ID / Atlas Digital de Desastres · MI/SEDECMais que a população inteira do estado do Amazonas, somando 33 anos de eventos.
O recorde anterior — 2022, com 5.021 eventos — foi superado em um ano. A emergência está se intensificando.
Quase metade dos desastres brasileiros está ligada a um único padrão: o ressecamento do clima.
R$ 636 bilhões em prejuízos públicos e privados — 6% do PIB anual do país, somando perdas humanas e materiais desde 1991.
Não é uma estatística confortável: estamos esquentando 2,5× mais rápido do que a média global.
A temperatura máxima média subiu +1,2°C entre 1980 e 2024. O Brasil aqueceu em 44 anos o equivalente a uma década inteira de aquecimento global — ritmo 2,5× maior.
Fonte · CHIRTS-ERA5 · UCSBQuase 60% do ano sob calor extremo — patamar onde a saúde humana entra em risco.
Em 1 de cada 3 dias do ano, a temperatura cruza o patamar de alerta.
Todos com Tmax média acima de 34,6°C — patamar próximo ao de desertos.
E mesmo onde chove, chove diferente: enxurradas concentradas em poucos dias substituem o regime histórico de chuvas distribuídas.
Apenas 15 municípios brasileiros mostram ganho de precipitação na tendência de longo prazo. O regime hídrico do país está sendo reescrito — para a maior parte das cidades, em direção à seca.
Fonte · CHIRPS v3.0 · UCSBCondição classificada como "muito abaixo do normal" — seca severa atingiu 11% das cidades.
O Brasil vive secas e enxurradas simultâneas. Adaptação não é "uma" estratégia, são várias.
Há um grupo de municípios brasileiros que aparece simultaneamente no topo de dois rankings opostos: os que mais contribuem para o problema climático — e os que vão sentir mais cedo seus efeitos.
O município que mais emite e mais desmata também tem o maior risco climático para a saúde local. A contradição não é coincidência — é estrutural.
Cruzamento · SEEG × MapBiomas × AdaptaBrasil98,4% dos municípios brasileiros têm pelo menos um indicador de risco climático elevado. A pergunta não é se o clima vai chegar — é o que cada cidade vai fazer com o tempo que tem.
Quase toda a malha logística brasileira já está em zona de risco. Não é prognóstico — é o presente.
São quase 50 mil km de estradas brasileiras vulneráveis. E nos 21 portos públicos costeiros, a estatística é ainda mais dura: 100% deles enfrentam risco alto de tempestades e elevação do nível do mar.
Fonte · AdaptaBrasil Infraestrutura · MCTICada uma dessas estatísticas existe em escala municipal — para todos os 5.570 municípios brasileiros. Entre na plataforma para encontrar o retrato da sua cidade, comparar com vizinhas, ou explorar a Contradição Ampliada.