Você sabia?

Grandes números
do clima brasileiro.

26 fatos para entender por que adaptação climática deixou de ser pauta de longo prazo. Os dados estão aqui — a urgência também.

5.570
municípios analisados
8
bases oficiais cruzadas
44 anos
série histórica (1980–2024)
99,2%
das cidades estão esquentando
01 · EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA

O Brasil emite muito.
Mas não da forma que você imagina.

A maior parte das emissões brasileiras não sai de chaminés ou escapamentos. Sai da derrubada da floresta — e isso muda tudo sobre como adaptar.

17,1bilhões de toneladas
de CO₂e em 2023

Cada brasileiro emitiu, em média, 84 toneladas de CO₂e — mais de 10× a média global per capita.

Mas essa média não vem do consumo de cada um — do carro, do gás, da conta de luz. Vem do território: 57% das emissões do país são de mudança de uso da terra e desmatamento, 9,8 bilhões de toneladas a mais do que agropecuária, energia, indústria e resíduos somados. A conta nacional é dividida pela população — e aparece como pegada per capita.

Fonte · SEEG 13 / Observatório do Clima
A campeã
208,6MtCO₂e

São Félix do Xingu (PA) lidera o ranking nacional.

Em 2023, esse único município emitiu mais do que países inteiros como Portugal ou Grécia.

Geografia
8 em 10

Maiores emissores estão na Amazônia Legal.

Pará, Mato Grosso e Rondônia concentram quase todos os topos do ranking — São Paulo é a única outlier urbana.

Trajetória
3.031

Municípios aumentaram emissões em 2023.

Mais da metade das cidades brasileiras (54%) está com a pegada de carbono crescendo.

Você sabia?

Nenhum município brasileiro tem emissões líquidas negativas. Mesmo as cidades amazônicas mais preservadas ainda emitem mais do que removem.

02 · Ecossistema

Em 38 anos, o Brasil perdeu uma França e meia de floresta.

E a frente de avanço mudou de bioma. Em 2023, o Cerrado ultrapassou a Amazônia pela primeira vez na série histórica.

142,7milhões de hectares
perdidos · 1985–2023

Quase 2× a área da França. Ou 17% de todo o território brasileiro.

Restam 549 milhões de hectares (64,5% do país) de vegetação nativa — mas 46% disso está concentrado na Amazônia. Fora dela a história é diferente: a Mata Atlântica conservou apenas 29% da cobertura original.

Fonte · MapBiomas Coleção 9
47.598 ha
desmatados em Corumbá (MS) em 2023, sob fogo no Pantanal
=
320 Ibirapueras
Em um único município, em um único ano.
Virada histórica
42%

Do desmatamento de 2023 foi no Cerrado.

Foi o primeiro ano em que o Cerrado (1,05 Mha) ultrapassou a Amazônia em derrubada.

Passivo histórico
2,1Mha

É o passivo de São Félix do Xingu.

Área maior que o estado de Sergipe, perdida em um único município desde 1985.

A floresta volta?
38,6Mha

De vegetação secundária — área de Mato Grosso do Sul.

É a floresta que está tentando voltar onde o uso humano recuou.

03 · Desastres

Um desastre climático a cada 4 horas.

São 33 anos de registros oficiais. E a curva está acelerando: 2023 quebrou o recorde absoluto de eventos. 2022 era o recorde anterior — quebrado no ano seguinte.

71.827eventos registrados
entre 1991 e 2024

6 desastres por dia, durante 33 anos — sem pausa.

94% dos municípios brasileiros têm pelo menos 1 desastre nos registros oficiais. Só 341 cidades nunca reportaram um evento — e isso não significa que estão seguras.

Fonte · S2ID / Atlas Digital de Desastres · MI/SEDEC
Pessoas afetadas
8,55milhões

De desabrigados desde 1991.

Mais que a população inteira do estado do Amazonas, somando 33 anos de eventos.

Ano-recorde
5.115

Eventos só em 2023.

O recorde anterior — 2022, com 5.021 eventos — foi superado em um ano. A emergência está se intensificando.

Tipologia
49%

São secas, ondas de calor ou incêndios.

Quase metade dos desastres brasileiros está ligada a um único padrão: o ressecamento do clima.

Em valor

R$ 636 bilhões em prejuízos públicos e privados — 6% do PIB anual do país, somando perdas humanas e materiais desde 1991.

04 · Calor extremo

99,2% das cidades brasileiras estão ficando mais quentes.

Não é uma estatística confortável: estamos esquentando 2,5× mais rápido do que a média global.

5.511cidades em
aquecimento contínuo

Só 46 municípios — em todo o Brasil — mostram tendência de resfriamento.

A temperatura máxima média subiu +1,2°C entre 1980 e 2024. O Brasil aqueceu em 44 anos o equivalente a uma década inteira de aquecimento global — ritmo 2,5× maior.

Fonte · CHIRTS-ERA5 · UCSB
Recorde 2024
215 dias

Acima de 35°C em um único município.

Quase 60% do ano sob calor extremo — patamar onde a saúde humana entra em risco.

Térmico
162

Cidades passaram de 100 dias acima de 35°C.

Em 1 de cada 3 dias do ano, a temperatura cruza o patamar de alerta.

Top do termômetro
Amapá

Concentra os 3 municípios mais quentes do Brasil.

Todos com Tmax média acima de 34,6°C — patamar próximo ao de desertos.

05 · Chuva e seca

A cada 10 cidades brasileiras,
9,97 estão secando.

E mesmo onde chove, chove diferente: enxurradas concentradas em poucos dias substituem o regime histórico de chuvas distribuídas.

−11,3mm/ano de chuva
na tendência nacional

Em 25 anos, são 283 mm a menos — o equivalente a perder 2 meses inteiros de chuva no Cerrado.

Apenas 15 municípios brasileiros mostram ganho de precipitação na tendência de longo prazo. O regime hídrico do país está sendo reescrito — para a maior parte das cidades, em direção à seca.

Fonte · CHIRPS v3.0 · UCSB
443 mm
no município mais seco do Brasil em 2024 — patamar de semiárido extremo.
vs.
3.267 mm
no município mais chuvoso — 7,4× mais chuva, no mesmo país, no mesmo ano.
Seca severa
615 municípios

Tiveram chuva ao menos 30% abaixo do normal em 2024.

Condição classificada como "muito abaixo do normal" — seca severa atingiu 11% das cidades.

Excesso hídrico
1.169 municípios

Tiveram chuva 30% acima do normal — no mesmo ano.

O Brasil vive secas e enxurradas simultâneas. Adaptação não é "uma" estratégia, são várias.

06 · Contradição Ampliada

Quem mais emite é também
quem mais sofre.

Há um grupo de municípios brasileiros que aparece simultaneamente no topo de dois rankings opostos: os que mais contribuem para o problema climático — e os que vão sentir mais cedo seus efeitos.

#1São Félix do Xingu, PA
em emissões nacionais

E também #5 no ranking de desmatamento. E #1 no risco de malária (0,98, quase o máximo).

O município que mais emite e mais desmata também tem o maior risco climático para a saúde local. A contradição não é coincidência — é estrutural.

Cruzamento · SEEG × MapBiomas × AdaptaBrasil
01
São Félix do Xingu
PA · Amazônia
Emissões #1
Desmat. #5
02
Corumbá
MS · Pantanal
Emissões #10
Desmat. #1
03
Porto Velho
RO · Amazônia
Emissões #5
Desmat. #11
04
São Desidério
BA · Cerrado
Emissões #15
Desmat. #2
05
Balsas
MA · Cerrado
Emissões #20
Desmat. #3
No fim das contas

98,4% dos municípios brasileiros têm pelo menos um indicador de risco climático elevado. A pergunta não é se o clima vai chegar — é o que cada cidade vai fazer com o tempo que tem.

07 · Infraestrutura crítica

Quando o clima fecha a estrada,
a economia para.

Quase toda a malha logística brasileira já está em zona de risco. Não é prognóstico — é o presente.

88,4% dos 56 mil km de
rodovias federais mapeadas

Estão sob risco climático elevado — alagamentos, deslizamentos e erosão.

São quase 50 mil km de estradas brasileiras vulneráveis. E nos 21 portos públicos costeiros, a estatística é ainda mais dura: 100% deles enfrentam risco alto de tempestades e elevação do nível do mar.

Fonte · AdaptaBrasil Infraestrutura · MCTI

Os números são só o começo.

Cada uma dessas estatísticas existe em escala municipal — para todos os 5.570 municípios brasileiros. Entre na plataforma para encontrar o retrato da sua cidade, comparar com vizinhas, ou explorar a Contradição Ampliada.

Fontes · SEEG 13 (2000–2023) · MapBiomas Coleção 9 (1985–2023) · S2ID / Atlas Digital de Desastres (1991–2024) · CHIRPS v3.0 (2000–2024) · CHIRTS-ERA5 (1980–2024) · AdaptaBrasil/MCTI — Seletron Analytics v4.
Extração: 21/05/2026.