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São Félix do Xingu (PA) lidera o ranking municipal.
Em 2023, esse único município emitiu mais do que países inteiros como a Eslováquia.
26 fatos para entender por que adaptação climática deixou de ser pauta de longo prazo. Os dados estão aqui — a urgência também.
A maior parte das emissões brasileiras não sai de chaminés ou escapamentos. Sai da derrubada da floresta — e isso muda tudo sobre como adaptar.
Mas essa média não vem do consumo de cada um — do carro, do gás, da conta de luz. Vem do território: 52% das emissões do país são de mudança de uso da terra e desmatamento. Fora isso, o brasileiro médio emite 6,1 toneladas — igual à média mundial. A conta nacional é dividida pela população — e aparece como pegada per capita.
Fonte · SEEG 13 / Observatório do ClimaEm 2023, esse único município emitiu mais do que países inteiros como a Eslováquia.
Pará, Rondônia e Mato Grosso concentram quase todos os topos do ranking — São Paulo é a única outlier urbana.
Mais da metade das cidades brasileiras (54%) está com a pegada de carbono crescendo.
134 municípios brasileiros — quase todos de floresta preservada na Amazônia — têm balanço líquido negativo: hoje removem mais CO₂e do que emitem.
E a frente de avanço mudou de bioma. Em 2023, o Cerrado ultrapassou a Amazônia em derrubada pela primeira vez na série do PRODES/INPE.
Restam 555 milhões de hectares (65,3% do país) de vegetação nativa — mas 6 em cada 10 hectares restantes estão na Amazônia. Fora dela a história é diferente: Cerrado e Pampa já perderam 28% da cobertura original.
Fonte · MapBiomas Coleção 10.1Mais de 1,1 milhão de hectares — e, pela primeira vez na série do PRODES/INPE, o Cerrado superou a Amazônia (11.104 km² contra 9.064 km²).
Área quase do tamanho do estado de Sergipe, perdida em um único município desde 1985.
É a floresta que está tentando voltar onde o uso humano recuou.
São 33 anos de registros oficiais. E a curva está acelerando: 2023 quebrou o recorde absoluto de eventos. 2022 era o recorde anterior — quebrado no ano seguinte.
94% dos municípios brasileiros têm pelo menos 1 desastre nos registros oficiais. Só 341 cidades nunca reportaram um evento — e isso não significa que estão seguras.
Fonte · S2ID / Atlas Digital de Desastres · MI/SEDECMais que a população inteira do estado do Amazonas, somando 33 anos de eventos.
O recorde anterior — 2022, com 5.021 eventos — foi superado em um ano. A emergência está se intensificando.
Quase metade dos desastres brasileiros está ligada a um único padrão: o ressecamento do clima.
R$ 636 bilhões em prejuízos materiais ao poder público — cerca de 6% de um ano de PIB, acumulados desde 1991.
E o ano mais quente da série histórica de 44 anos é também o mais recente: 2024.
A temperatura máxima média subiu +1,2°C entre 1980 e 2024 — e 2024 cravou o recorde da série, com anomalia média de +0,9°C sobre a climatologia de referência.
Fonte · CHIRTS-ERA5 · UCSBEm Marechal Thaumaturgo (AC) e Conceição do Araguaia (PA), foram 5 meses — quase metade do ano sob calor extremo médio.
A BR-158 lidera: 1.928 km sob risco térmico médio ou alto. Calor deforma pavimento e emenda trilhos — a economia sente antes das pessoas.
Todos com Tmax média acima de 34,6°C — patamar próximo ao de desertos.
E mesmo onde chove, chove diferente: enxurradas concentradas em poucos dias substituem o regime histórico de chuvas distribuídas.
Apenas 15 municípios brasileiros mostram ganho de precipitação na tendência de longo prazo. O regime hídrico do país está sendo reescrito — para a maior parte das cidades, em direção à seca.
Fonte · CHIRPS v3.0 · UCSBCondição classificada como "muito abaixo do normal" — seca severa atingiu 11% das cidades.
O Brasil vive secas e enxurradas simultâneas. Adaptação não é "uma" estratégia, são várias.
Há um grupo de municípios brasileiros que aparece simultaneamente no topo de dois rankings opostos: os que mais contribuem para o problema climático — e os que vão sentir mais cedo seus efeitos.
O município que mais emite e mais desmata está entre os do topo do risco nacional de malária (0,98 numa escala até 1,0). A contradição não é coincidência — é estrutural.
Cruzamento · SEEG × MapBiomas × AdaptaBrasil98,4% dos municípios brasileiros têm pelo menos um indicador de risco climático elevado. A pergunta não é se o clima vai chegar — é o que cada cidade vai fazer com o tempo que tem.
Calor, queimadas, erosão, deslizamentos e alagamentos já pressionam a malha logística brasileira. Não é prognóstico — é o presente.
São 62% dos 56 mil km já avaliados pelo AdaptaBrasil — o risco térmico lidera (27 mil km), seguido de queimadas (14 mil km). E nos 21 portos públicos costeiros mapeados, 2 em cada 3 já registram risco alto ou muito alto de tempestades ou vendavais — o Rio Grande/RS e Aratu/BA no topo da escala.
Fonte · AdaptaBrasil Infraestrutura · MCTICada uma dessas estatísticas existe em escala municipal — para todos os 5.570 municípios brasileiros. Entre na plataforma para encontrar o retrato da sua cidade, comparar com vizinhas, ou explorar a Contradição Ampliada.